A sede da Portugal Economics and Legal
Um edifício histórico junto a Santa Apólonia, ligado ao escultor Joaquim Machado de Castro e à Fábrica de Azulejos Roseira.
A atual sede da Portugal Economics and Legal, situada na Rua dos Caminhos de Ferro, n.º 18, junto à estação ferroviária de Santa Apólonia, ocupa um edifício de enorme valor histórico, arquitetónico e artístico. Associada à memória de Joaquim Machado de Castro, um dos mais importantes escultores portugueses e autor da estátua equestre de D. José I, no Terreiro do Paço, esta casa integra-se num território de Lisboa marcado pela relação entre património, trabalho oficinal, criação artística e transformação urbana.
O edifício ostenta com orgulho a sua ligação à antiga Fábrica de Azulejos Roseira, testemunho da tradição cerâmica lisboeta e da importância do azulejo na identidade visual da cidade. Naquela rua residiu, aliás, um importante polo desta empresa, e o número 18 era a sua loja mais visível. Esta dimensão acrescenta-lhe uma leitura artística própria: a sede é um espaço onde a memória da escultura, da arquitetura e das artes decorativas se cruzam de forma singular.
A escolha desta sede reflete a forma como a Portugal Economics and Legal entende a sua presença. A recuperação e utilização de um edifício com este valor traduzem uma atenção concreta ao património construído, mas também uma visão de longo prazo, assente na preservação, no rigor e na valorização da memória urbana.
A sede exprime, assim, alguns dos valores centrais da Portugal Economics and Legal: respeito pela história, sentido de responsabilidade, exigência técnica, discrição e compromisso com soluções duradouras. Tal como o edifício combina memória e função atual, também a atuação da sociedade procura articular conhecimento especializado, prudência e capacidade de resposta às necessidades do presente.

Caminhos de Ferro, 18: a Casa Machado de Castro
Joaquim Machado de Castro (1731-1822) foi um dos mais importantes escultores e estatuários portugueses, figura maior da escultura nacional dos séculos XVIII e XIX. Filho de Manuel Machado Teixeira e de sua primeira mulher, D. Teresa Angélica Taborda, distinguiu-se pelo talento artístico, pelo domínio técnico e pela relevância das obras que deixou à cidade de Lisboa e ao país.
O seu mérito foi reconhecido ainda em vida. Em 9 de fevereiro de 1814, foi eleito sócio correspondente da Academia Real das Ciências e, alguns anos depois, a mesma instituição distinguiu-o com uma medalha de ouro, homenagem reservada a personalidades de reconhecido valor. Também a Coroa lhe confiou funções de grande prestígio: D. José I nomeou-o escultor da Casa Real e responsável pelas Obras Públicas, cargos que continuou a desempenhar nos reinados de D. Maria I e de D. João VI. Este último monarca viria ainda a nomeá-lo diretor de toda a escultura do Palácio da Ajuda e das obras reais.
Para além da sua atividade como escultor, Machado de Castro foi lente da Aula de Escultura, formando gerações de artistas e contribuindo para a transmissão do saber escultórico em Portugal. Embora seja também recordado pelos seus presépios, a sua obra mais célebre é a estátua equestre de D. José I, erguida no Terreiro do Paço, uma das peças monumentais mais emblemáticas de Lisboa e símbolo maior da reconstrução pombalina da cidade após o terramoto de 1755.
Machado de Castro esteve ligado à casa situada na atual Rua dos Caminhos de Ferro, n.º 18, junto a Santa Apólonia, então identificada na zona do Cais dos Soldados. A documentação conhecida permite afirmar que residiu ali, ou que teve ali a sua casa de morada, pelo menos entre 1779 e 1782, podendo essa ligação recuar a 1778. Não é, contudo, possível determinar com absoluta segurança durante quantos anos viveu nesse edifício, já que as fontes conhecidas não estabelecem um período completo e contínuo de residência.
Atualmente restaurada, a casa ganha uma nova leitura patrimonial. A recuperação do edifício permite resgatar a memória de Machado de Castro e valorizar um lugar associado a uma das figuras maiores da escultura portuguesa. Mais do que um simples imóvel urbano, esta casa constitui um testemunho material da presença do artista em Lisboa e da ligação entre a cidade, a sua história e uma das suas obras públicas mais monumentais: a estátua equestre de D. José I, no Terreiro do Paço.




